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Previdência · Dicas

Como aumentar o valor da aposentadoria no INSS

Por Pedro Tadeu Barbosa Melo13 de novembro de 2024 · Atualizado em 21 de outubro de 2026

Muita gente acredita que, para aumentar a aposentadoria, basta contribuir sobre um valor maior nos últimos anos. Depois da Reforma da Previdência de 2019, isso funciona bem menos do que parece. Para saber o que de fato aumenta o benefício, primeiro é preciso entender como ele é calculado.

Como o valor é calculado hoje

Na maioria das aposentadorias do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), o cálculo tem duas etapas:

  1. A média de todos os seus salários de contribuição desde julho de 1994. Os salários antigos são corrigidos pela inflação.
  2. Um percentual dessa média: 60%, mais 2 pontos percentuais por ano de contribuição acima de 15 anos (mulher) ou 20 anos (homem).

Exemplo: um homem com média de R$ 3.000 e 30 anos de contribuição recebe 80% da média (60% + 10 anos × 2%), ou seja, R$ 2.400.

Com isso em mente, fica mais fácil ver o que mexe no valor.

1. Cada ano a mais de contribuição vale 2%

Esse é o fator que mais pesa. Cada ano completo de contribuição além do mínimo aumenta 2 pontos percentuais do benefício, para sempre. No exemplo acima, trabalhar mais 5 anos levaria o homem a 90% da média.

Para chegar a 100% da média, a mulher precisa de 35 anos de contribuição e o homem, de 40 anos.

2. Corrigir o CNIS antes de pedir

O CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) é o extrato das suas contribuições, e é dele que o INSS tira os números do cálculo. Um emprego que não aparece, um salário que ficou de fora ou um mês com valor errado diminuem a média e o tempo, e portanto o benefício.

Corrigir o CNIS antes de pedir é a forma mais barata de aumentar a aposentadoria: você não paga nada a mais, só faz o INSS contar o que você já trabalhou.

3. Contar o tempo especial e o tempo esquecido

Alguns períodos aumentam o tempo de contribuição e, portanto, o percentual:

  • o tempo especial, de quem trabalhou exposto a ruído, a produtos químicos ou em hospitais, que até 13/11/2019 pode ser convertido com acréscimo: para o homem, 10 anos especiais viram 14. Veja o guia Atividade especial: PPP e LTCAT;
  • o trabalho rural antes de 1991, mesmo sem contribuição;
  • o serviço militar obrigatório;
  • o tempo de serviço público, levado ao INSS pela CTC (Certidão de Tempo de Contribuição).

4. Escolher a regra e a data certas

Quem já contribuía antes da Reforma pode se encaixar em várias regras, e elas não pagam o mesmo. Algumas regras de pedágio pagam 100% da média. E quem já tinha direito antes de 13/11/2019 pode usar as regras antigas, que muitas vezes são mais vantajosas.

O INSS deve conceder a regra mais vantajosa entre as que você cumpre na data do pedido. Mas, às vezes, esperar alguns meses para cumprir uma regra melhor compensa, e isso o INSS não avisa. Veja as regras no guia da aposentadoria por tempo de contribuição.

5. O descarte de salários baixos

Desde a Reforma, a lei permite retirar da média os salários de contribuição que a puxam para baixo, desde que o tempo que sobra ainda cumpra o mínimo exigido pela regra.

Exemplo: uma mulher com 20 anos de contribuição, sendo 5 anos com salários muito baixos, pode descartar esses 5 anos. A média sobe. Em troca, ela fica com 15 anos de contribuição, o percentual cai de 70% para 60%, e o tempo descartado deixa de contar para tudo.

Se o descarte compensa ou não depende da conta: às vezes a média sobe mais do que o percentual cai, às vezes não. É uma decisão que precisa ser feita com os números do seu caso.

6. Somar os salários de dois empregos

Quem tem dois empregos ao mesmo tempo, ou um emprego e contribuições como autônomo, tem os salários somados no mesmo mês, até o teto do INSS. Se o CNIS não mostrar um dos vínculos, a média fica menor do que deveria.

E contribuir sobre um valor maior?

Ajuda, mas menos do que se imagina, porque a média considera todos os salários desde 1994.

Exemplo: quem tem 30 anos de contribuição com média de R$ 2.000 e passa a contribuir sobre R$ 8.000 nos últimos 5 anos chega a uma média de cerca de R$ 2.860, e não de R$ 8.000.

Para quem está longe da aposentadoria, contribuir sobre um valor maior faz mais diferença. Para quem está perto, muitas vezes é melhor investir esse dinheiro em outra coisa. Quem contribui por conta própria também precisa cuidar do código e da alíquota certos: o plano simplificado de 11% e o MEI (Microempreendedor Individual) de 5% não contam para a aposentadoria por tempo de contribuição sem complementação.

O que não aumenta a aposentadoria

  • Contribuir depois de aposentado: as novas contribuições não aumentam o benefício já concedido.
  • Revisões que não existem mais, como a “revisão da vida toda”, encerrada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 2025. Desconfie de quem ainda oferece. Veja o guia de revisão de benefício.

Por onde começar

Quanto mais perto da aposentadoria, mais importante é fazer a conta antes de pedir: depois de concedida, a aposentadoria é difícil de mudar. Um planejamento previdenciário junta todos esses pontos, compara as regras e mostra quais medidas aumentam o seu benefício, e quais não valem o custo.

Este artigo é informativo e não substitui a análise do seu caso por um advogado.

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